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quinta-feira, outubro 27, 2005

Um barrosão com mística...

(Este texto foi publicado no Diário dos Açores de 26-10-2005)

A Escola Antero de Quental nos Açores conseguiu mais uma vez ser a melhor escola dos Açores no Ranking dos exames nacionais, mas foi em Física que conseguiu os melhores resultados. Aliás, está visto que Física é um caso a estudar nos Açores em termos do sistema de ensino: de 18 escolas que foram a exames nacionais este ano, essa disciplina conseguiu obter os melhores resultados em 4. Na Escola Domingos Rebelo a média geral atingiu os 143,4, o melhor resultado da Região e o 38º do país, e na Antero de Quental atingiu os 141,5, o segundo melhor da Região e o 46º do país.

César Alves, um jovem professor de 31 anos, natural de Parafita, Montalegre em Trás-os-Montes, é um dos obreiros desta vitória. Professor na Antero de Quental pelo quinto ano, não esconde que é exigente mas também não tem dúvidas em afirmar que o sucesso depende de múltiplos factores.

Desde logo, da própria escola: "há aqui uma certa mística", diz a sorrir, sentado numa das carteiras do Museu de Física, uma sala antiga, de tectos altos, decorada com inúmeros aparelhos do século XIX utilizados em Física, fazendo lembrar uma sala de coleccionismo inglês. Um telescópio pertenceu a um professor açoriano do final do século XIX, que ajudou a descobrir um planeta. "Há alunos que vêm de outras escolas e mudam completamente", refere. "Aqui o ensino é claramente dignificado", remata.

Mas o ambiente geral não vem apenas do passado ou do respeito no trato. A escola tem cinco laboratórios, "e para além de ter um excelente responsável pelo material, a verdade é que os órgãos de gestão nunca recusam nada do que lhes pedimos", o que o faz dizer que existe "uma colaboração impressionante".

Reconhece que os alunos no início do ano vêm relativamente bem preparados. Mas porque não têm bem a noção ao que a disciplina os obriga a saber, César Alves é rigoroso desde o primeiro dia: "desde o início que eles sabem que têm de estudar, são logo pressionados". Aliás, a "pressão" já começa antes mesmo das aulas se iniciarem: a fama deste professor já é conhecida. "Um aluno meu disse-me hoje que viu uma pilha de testes meus numa sala de explicações, e eram considerados os mais difíceis"?

Mas é de dificuldade que se trata em Física ? ou sobre a forma de a ultrapassar. "São poucos os alunos que gostam de Física à partida, mas como querem mesmo ir para a universidade, sabem que têm de a completar". O método de ensino, no entanto, ajuda bastante. Desde a linguagem ? "em vez de se falar na trajectória de átomos, fala-se na trajectória de carros de fórmula 1", à própria comunicação, que é cada vez mais experimental. "Fala-se de Física como se fala de desporto: uma linguagem simples, contextualizada, o que é muito importante, senão, o ensino é vago". E as experiências práticas não param, assim como actividades inovadoras.

Em média, cerca de 20% dos alunos não chega a acabar o ano, o que, apesar de tudo, é considerado "uma boa média". Os programas são integralmente cumpridos, o que é uma novidade. "Exigimos sempre mais do que o programa pede, pois se tabelarmos pelo mínimo, os alunos vão abaixo; se tabelarmos pelo médio, eles vão-se safando; se tabelarmos alto, o melhor é para eles". No ano passado, de uma turma de 14 alunos, 12 entraram no Instituto Superior Técnico, sem usar o contingente Açores.

E, claro, há o professor. Este gaba-se de nunca ter expulso um aluno, mas de conseguir impor um respeito natural. A melhor nota que conseguiu foi um 19 e até hoje apenas um aluno seu teve uma nota em exame inferior à da pauta. "Mas voltou na 2ª fase, conseguiu subir e entrou para a universidade do seu gosto no continente". E, no entanto, é rigoroso com a disciplina: se um aluno chega atrasado, não o deixa perturbar o seguimento natural das aulas ? "tive hoje um aluno que chegou meia hora atrasado; quando expôs algumas dúvidas, lembrei-lhe que o problema era dele por ter chegado tarde; é claro que depois ajudá-lo-ei, pois a escola é exactamente feita para ensinar, e não aterrorizar, mas há que haver disciplina".

Mas não esconde que para se ser bom professor é preciso gostar, ter nascido para isto. Mas se é preciso ser um bom comunicador, "é fundamental dominar a matéria; tive um professor que me disse que ?às vezes antes vale ser mau a transmitir conhecimentos, do que bom a transmitir coisas erradas?; quem não dominar esta ciência não tem hipótese", conclui.

Quanto aos exames, também não esconde que a partir de Maio o ensino é dirigido para os exames, numa espécie de "alerta total; os testes de avaliação são sempre feitos de acordo com os modelos dos exames nacionais ? e por isso eles já estão habituados. É preciso optar: ou ensinamos muito bem física, ou preparamos os alunos para que sejam bons nos exames; e para isso é preciso saber muito bem como funcionam os exames nacionais".

Ao contrário de alguns professores, gosta dos Rankings. "Se há más notas, é preciso experimentar outros professores. Os professores devem sempre ser responsabilizados pelos maus resultados, devem ser questionados; é preciso uma explicação. E não é só o professor, é a própria estrutura de ensino: saber se o grupo está a ser bem coordenado, se os órgãos de gestão estão a fazer bem o seu papel". Questiona mesmo que "há escolas que não têm laboratórios de física: como é que podem pedir bons resultados? É impossível!"

Fonte: Diário dos Açores Online

segunda-feira, outubro 17, 2005

Os barbeiros do povo da aldeia de Parafita

Depois de algum tempo de ausência deste blog (ao ponto de passar pela fama de ser o criador do Barroso FM, blog com o qual não tenho nada a ver!), partilho convosco esta pérola que foi reportagem do Jornal de Notícias de 10 de Outubro último...











Aos domingos, António Afonso vai a casa de Manuel Branco.
A barba é paga com o mata-bicho



Manuel Branco se ajeita na cadeira, auxiliado por uma familiar, António Afonso coloca em cima de uma mesa um saco de plástico verde e, devagarinho, começa a retirar vários utensílios, embrulhados em folhas de jornal.
Terminada a tarefa, coloca uma toalha em volta do pescoço de Manuel, regressa à mesa, espreme um tubo quase vazio de creme de barbear.
"Ora, vamos lá, então!", diz, espalhando o sabão na cara de Manuel, com um farfalhudo pincel. São quase dez horas, é domingo e este é o ritual semanal de um dos dois barbeiros que ainda resistem na aldeia de Parafita (em Montalegre), uma profissão que os modernos cabeleireiros estão a fazer desaparecer.
Mas aos quais, nesta localidade, os mais idosos ainda resistem.


"Ao cabeleireiro, a Montalegre, cá em Parafita, só se forem os rapazes novos que já arrebitam e gostam do cabelo à moda fina!", esclarece António Afonso.
De resto, os cabelos dos homens de Parafita são aparados pelas tesouras e pelas navalhas dos dois barbeiros da aldeia.

São ambos António, de nome, e só trabalham aos domingos de manhã.
"Nem eu, nem ele levamos dinheiro. Os que são mais meus amigos vêm ter comigo, os que são mais amigos dele vão ter com ele", explica António Afonso, a quem na aldeia toda a gente chama de "o Amélia", por causa da mãe.

Por sua vez, os dois barbeiros cortam o cabelo um ao outro". "Ele dá-me um jeito ao meu e eu dou-lhe um jeito ao dele!", conta o António conhecido pelo nome da mãe. "Normalmente, é no mesmo dia, depois agarramos e vamos beber um copo e pronto!", acrescenta, mais tarde, António Alves.

De facto, dinheiro não é a moeda de troca entre barbeiros e clientes de Parafita. "É tudo por amizade". "Agora, vim aqui (à casa de Manuel), matei o bicho (tomei o pequeno-almoço), mas não levo dinheiro. Eles ajudam-me, eu ajudo-os a eles; é assim", explica António. No entanto, nem sempre foi assim.

Houve tempos em que os alqueires de centeio que recebia em troca de cortar cabelo e fazer a barba eram uma ajuda preciosa para António. Tempos difíceis. "Sabe por quanto os aturava um ano inteiro? Se fosse cabelo e barba, era um alqueire de grão, se fosse só cabelo era meio alqueire!", recorda António, que começou na arte com apenas 12 anos. Hoje tem 75. Já o seu pai era barbeiro. Mas não foi com ele que aprendeu. "Aprendi por mim. Às vezes, as pessoas diziam-lhe, então, não ensinas o rapaz? Sabe o que ele dizia? Então ele não vê como se faz?".

A cadeira alemã e o after-shave

Quando começou na arte, António Afonso trabalhava quase na rua. "Nem tinha casa de jeito", explica. Hoje, tem montada uma barbearia improvisada, numa pequena divisão da casa. Um lavatório, um espelho, uma caixa de madeira por cima da qual tem espalhadas as várias navalhas e outros utensílios, e uma cadeira de escritório que é o orgulho do barbeiro. "Anda de roda e, assim, mexo-os de um lado para o outro, conforme dá jeito", explica António, lembrando que foi o filho que está na Alemanha que lha mandou.

No que toca a after-shave, António também ainda não aderiu aos novos bálsamos do mercado. Continua a usar o que chama "pedra húmida", que passa pela cara dos barbeados. O "after-shave 444, cicatrizante" é tão raro que as farmácias de Montalegre já não vendem. "Este comprei-o numa drogaria em Monção. Dura uma vida!", remata.