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quarta-feira, março 14, 2007

O Padre Bravo no São Miguel


Entre 1770 e 1835 existiu em casa do Branco um padre.

Tal personagem ficou conhecido pelo Padre Bravo do Branco devido á sua postura de fanfarrão, macacório , e artolas perante a sociedade de então, e como consequência permaneceu vivo na história da “Corga” tal como muitos outros .
-Padre Bravo porquê???
Pois Padre Bravo porque a individualidade era mesmo terrível.
Diz-se que vivia com uma irmã de nascença de nome Germana.
É claro, que se a desgraçada fosse irmã da caridade, tinha de certeza que pôr o seu corpinho de freira angelical ao serviço da igreja católica apostólica e romana pelo menos três vezes ao dia, já que ao que se diz, o pardal não perdoava nem á mulher do sacristão.

Ora certo dia por alturas do S. Miguel o amigo Padre Bravo decide ir fazer uma visita ao arcanjo e de passagem dar uma volta pelas suas grandiosas festas e arrematar umas cevas como era tradição, já que naqueles tempos o porquinho era o que mantinha as gentinhas do Barroso durante os duros Invernos que por cá passavam.
Então certa manhã chama a criadagem, dá ordens de aparelhar as mulas e preparar uma merendola para o caminho já que Cabeceiras ficava a umas léguas valentes e os ares da Cabreira costumavam dar uma fome de matar qualquer cristão.

Até aqui tudo bem mas o pior estava para vir, já que o pardalão pensou em comprar os recos sem levar um tostão na algibeira.
Bem, mulas aparelhadas e merenda no alforge lá partiu o Padre Bravo mais o seu criado predilecto (predilecto porque era o único que tinha) em direcção a Cabeceiras de Basto. Depois de viajarem durante uma boa mão cheia de horas lá chegaram ao destino.

Foram em busca de uma pensão para repousar e rápido encontraram bom aposento na Estalagem de Basto não fosse o senhor abade cliente habitual e bem conhecido devido ao bom porte que possuía naquela casa.
Assim o pardal marcou quarto para um já que o criado iria dormir oculto na estrebaria junto das mulas porque assim o tinha premeditado o Sr. abade com segundas intenções.

Depois de bem jantar e melhor beber o marmanjo decide recolher aos aposentos celestiais mas não sem antes tentar fazer o rente á criada para que lhe fosse aquecer os pés não fosse a moçoila apetecer-lhe e o padre perder por não ter falado. É claro que a rapariga lhe disse que dormisse com os anjinhos e sonhasse com ela, porque a verdade é que com a carantonha que tinha Sr. Abade, realmente só para espantar os javalis do milho em noites de Verão.

Depois de despido e lavado vai o padre á janela manda duas assobiadelas e num ápice aparece o criado por debaixo da mesma. O cura atira-lhe todos os pertences incluindo vestuário e calçado, e depois deitou-se bem refastelado esperando pela manhã.

Por volta das oito da manhã já o Sr. abade tinha o pequeno-almoço na mesa há mais de meia hora quando a patroa da estalagem disse para a criada:
-“Ó Rosita vai lá acima bater á porta do Sr. abade porque ele disse que ia madrugar e estou a ver que ainda não se levantou! deve de ter adormecido!!!”.
A criadita lá foi chamar o Sr. padre.

Truz…Truz…Truz…
-“Oh Sr. abade, ainda aí está???”
-“Levante-se homem que é quase meio-dia”.
-“Lobanto-me????”
-“Lobant-ome o quê putas do caralho!!! beu aqui um filha da puta
d’um ladrão de noute que me limpou tudo… deixou-me inunzinho… num sei se foi a putória da patroa ou a excomungada da criada q’uio deixaram intrar mas o q’ué meu tem c’aparcer aqui senão ‘stá’ o caralhinho aqui inda oinje oubisteis???”

A Rosita muito assustada desceu as escadas praticamente sem por as socas nos degraus de madeira dirigindo-se à patroa para lhe contar o sucedido.
-“Ai senhora Deolinda venha depressa que roubaram o padre e ele culpa-nos a nós”.
-“Tu que me dizes Rosita????”
-“É verdade diz que lhe tiraram tudo e põe as culpas na senhora e em mim.”
-“Ai Jesus e agora que vamos fazer?”
-“Anda Rosa vamos ter com ele para ver se o acalmamos antes que ponha fraco nome à casa e a nós.”


Truz…Truz Truz…
-“Ó senhor abade o senhor está ai???”
-“E donde cria vossemecê q’eu estivese caralho? Só s’ estivesse tolo dos cornos p’ra ir c’os quilhões abanar p’ró meio da feira!!! Ladrões, larápios, gatunos minhotos do caralho q’uéra matar-bos a todos e inrrabarbos a sangre frio caralho.”
-“Ai Sr. abade não faça escândalos pelo amor de Deus que a casa vai repor todo o seu prejuízo.”
Disse a D. Deolinda muito preocupada com o bom-nome da sua pensão não fosse o diabo do padre tecêlas e estragar-lhe a reputação da casa.
-“Ai bai ??? Atcho munto bem q’ui o faça e depressinha q’eu teinho c’apreçar as cebas e ir p’rá corga inda oinje oubiu?”


Meu Deus, a D. Deolinda quando ouviu aquelas palavras ficou como se tivesse escutado a palavra do Senhor na sua própria voz, pelo menos a G.N.R não ia ser chamada a intervir, e assim sendo nem que tivesse que dar uns bons contos de Reis ao padre pelo menos preservaria a sua boa imagem.
-“Ai Sr. Abade, eu vou já mandar a criada comprar roupa para o senhor e enquanto isso vou ali ao banco levantar algum dinheiro para repor o seu prejuízo.”
-“Quanto é que esses gatunos lhe levaram???”
-“Treis contos de rei, o fato, os sapatos, as ciroulas, e o txapéu.”


Bem como devem imaginar o Padre Bravo voltou á “Corga” com um fato, umas ceroulas, uns sapatos e um chapéu tudo novinho em folha. Trouxe ainda como brinde três recos que eram um mimo e dois contos de reis no bolso que foi o que sobrou da compra dos suínos, da merenda que comeu com o criado na feira e da roupa que comprou para ele, para a Germana, e para o criado que bem a mereceu depois da ajuda que deu ao amo.

Meus amigos disto… só na “Corga” e já agora nunca duvidem que:


“Bale mais um ano na Corga c’a sete in’ Cuimbra”

Boas Noutes…!!!
Inté brébe…